Astrofotografia parte 1

Astrofotografia parte 1

Astrofotografia parte 1

Assim que o Sol se põe, um novo e extraordinário cenário domina os céus por cima das nossas cabeças, uma fonte de beleza incomparável e à qual, muitas vezes, não damos o devido valor. Há algum tempo atrás, era complicado tirar uma boa foto ao céu, mesmo com os rolos mais sensíveis. Hoje, porém, com a difusão da fotografia digital, webcams e telescópios amadores, é uma realidade que está ao alcance da maioria das carteiras.

Neste guia que agora publicamos, com um novo capítulo todas as Quartas-Feiras e Domingos, iremos demonstrar técnicas e equipamentos que te levarão através do nosso sistema solar, numa experiência que irás ter vontade de repetir sempre que a primeira estrela cintilante aparecer no céu nocturno.

Muita gente não saberá, por exemplo, que para ver as 4 maiores luas do planeta Júpiter (Io, Europa, Ganymedes e Calisto), nem sequer precisamos de um telescópio: uns bons binóculos são suficientes. Os anéis de Saturno, que são o auge de tudo aquilo que temos na vizinhança, estão ao alcance de um telescópio dos mais baratos. Um destes telescópios modestos proporcionará uma visão da superfície lunar idêntica a como se estivesses numa nave espacial a aproximares-te da mesma. Ora, se é relativamente fácil vermos as coisas, como será então registá-las em fotografia?

Philips Toucam

Philips Toucam

A Astrofotografia não é tão simples como apontar e disparar, ponto assente, mas qualquer bom resultado saído das tuas mãos será muito gratificante acredita. Dá muito mais gozo ver uma foto nossa das luas de Júpiter, que não passam de pequenos pontos brancos, do que as fotos das sondas que passam por lá. É muito diferente estares a ver, em directo, a fotografar por ti, do que só conheceres através de livros e websites, de forma indirecta e ás vezes sujeitas a montagens digitais.

Mas vamos então começar pelo equipamento que é necessário. Dado que este guia foca em particular os equipamentos de baixo custo, ao alcance da maioria das pessoas, vamos apresentar duas soluções fotográficas: as webcams e as câmeras digitais compactas. Mas qualquer webcam ou câmera digital serve? Não propriamente.

Um dos factores que quase toda a gente conhece nestes equipamentos, é a resolução. No caso das câmeras digitais, a resolução já deixou de ser um problema, uma vez que agora, praticamente todas as câmeras à venda têm uma resolução superior a 6 megapixeis. No caso das webcams, ainda existem algumas com resoluções de 320×240 pixeis, claramente pouco para se obter resultados satisfatórios. O ideal é que a webcam tenha sempre mais que 1 megapixel de resolução.

Um outro factor menos popular, é o tipo de sensor. Para a fotografia normal, tanto os CMOS como os CCD são capazes de produzir excelentes resultados. Para astrofotografia, ainda que exista alguma discussão sobre isso – dado que a tecnologia dos CMOS está a evoluir favorávelmente – os melhores resultados são obtidos através dos CCD, principalmente quando o objecto a fotografar é ténue. Para adquirires uma câmera destinada à astrofotografia, procura sempre uma com um sensor CCD. Existem também webcams com a tecnologia RightLight, que supostamente funcionam em pleno perante ambientes de pouca luz, mas é uma manipulação digital ilusória, clareando e optimizando os pixeis mais escuros. Esta tecnologia não te vai mostrar uma lua de Júpiter, se a mesma não estiver na imagem original captada pelo sensor pouco sensível. Um CCD capta essa mesma lua sem grandes dificuldades.

Telescópio Newtoniano

Telescópio Newtoniano

Para além do equipamento fotográfico, evidentemente precisamos de um telescópio ou de um bom par de binóculos. É de censo comum que o telescópio te trará melhores resultados e também maior estabilidade – para aproximares a potência e o equilibrio de um par de binóculos ao de um telescópio, irás gastar muito mais dinheiro.

Os binóculos, por terem uma ampliação reduzida, permitem-te observar uma área maior no céu. Por exemplo, se queres ver o globo lunar completo, os binóculos são uma excelente opção. Também é possível com telescópio, utilizando o menor aumento do mesmo, partindo do principio que estamos a falar de telescópios amadores.

Binóculos compactos

Binóculos compactos

Os binóculos compactos não são uma boa opção para observar o céu. Apesar de serem leves e pequenos, portanto fáceis de transportar até num bolso, as objectivas são relativamente pequenas e recebem pouca luz. Dão para observar nitidamente a Lua, por exemplo, mas não te darão muito mais oportunidades. Os melhores modelos são também relativamente caros.

Binóculos prismáticos

Binóculos prismáticos

Em contraste com os anteriores, os binóculos prismáticos são a melhor opção (dentro dos binóculos) para a astronomia. São também relativamente leves e fáceis de transportar mas recebem uma quantidade de luz muito maior que os compactos. Podem-se adquirir bons modelos de binóculos prismáticos a partir de 40€.

Binóculos gigantes

Binóculos gigantes

Com o dobro ou o triplo da ampliação dos binóculos prismáticos, os binóculos gigantes poderiam à partida ser considerados os melhores. Bem, de facto são, mas trazem um leque de desvantagens com eles: são demasiados pesados para serem segurados em mãos (necessitam de tripé) e o preço dos mesmos torna-os claramente pior opção do que um telescópio.

Os telescópios são instrumentos bem mais complicados de transportar do que um par de binóculos, mas são também muito mais poderosos. Assentes em tripés que permitem estabilidade de imagem, existem actualmente vários modelos equipados com motor eléctrico e sistemas de coordenadas que facilitam quer a observação, quer a fotografia.

Telescópio refractor

Telescópio refractor

Os telescópios refractores são particularmente reconhecidos pela qualidade e nitidez das imagens que produzem, além de uma estabilidade óptima para uma noite inteira de astrofotografia. Como principal desvantagem, a abertura e portanto quantidade de luz que recebe, não é das mais acessíveis. Um telescópio refractor com mais de 15cm de abertura, possui um tubo muito longo e inadequado a um astrónomo amador, além de ficar caro. O telescópio de Galileu era um refractor, embora mais primitivo que os refractores actuais.

Telescópio reflector

Telescópio reflector

Ao contrário dos refractores, os telescópios reflectores oferecem uma abertura maior e mais acessível, captando assim mais luz e permitindo a observação dos objectos mais ténues. Com um tubo de tamanho acessível, um reflector com 15cm ou 20cm tem um custo razoável e é capaz de observar todos os planetas do Sistema Solar (a partir desses 20cm, também alcança Plutão). Uma desvantagem importante nestes telescópios, é o facto do tubo ser aberto. Se não existir equilíbrio térmico entre o ar que circula dentro do tubo e o ar que se encontra no exterior, causa problemas de observação sérios. Newton utilizava um telescópio reflector, também conhecido como telescópio newtoniano.

Telescópio catadióptrico

Telescópio catadióptrico

Também chamados de telescópios compostos ou hibridos, os catadióptricos tanto possuem elementos dos refractores como dos reflectores. São geralmente a escolha dos astrónomos amadores que pretendem combinar a qualidade de imagem com a facilidade de transporte. Com uma mesma abertura, o catadióptrico é mais caro que o reflector mas mais barato que o refractor.

Uma nota importante: é erro comum um iniciante, ao comprar um telescópio, ter como primeira referência a ampliação desse telescópio, e ficar encantado se a caixa disser que tem ampliações de 600X ou até 1000X. Isto é uma ilusão. Um telescópio de abertura pequena mas uma ampliação de 1000X, mostra-nos os objectos quase imperceptíveis, escurecidos e por vezes mesmo disformes. Aquilo que verdadeiramente importa, é a abertura do telescópio. Se tiver uma abertura acima de 75mm (refractor) ou 100mm (reflector), é uma escolha acertada para começares. Não ligues à ampliação – a ampliação não é controlada pelo telescópio mas sim pela ocular que usares. Se o teu telescópio vier de fábrica com oculares de 20mm e 8mm, compras uma de 4mm e obtens uma ampliação superior, sem trocares de telescópio. Sem boa abertura é que se pode tornar frustrante e aí não há nada a fazer a não ser comprar outro equipamento.

No próximo capítulo vamos adaptar a webcam e a câmera digital ao telescópio, conhecer os processos de focagem e começar a fazer os primeiros testes fotográficos. Não percas ;)

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