Astrofotografia parte 2

Máquina no Telescópio

Astrofotografia parte 2

No primeiro capítulo analisamos o equipamento de astrofotografia, conhecer os tipos de câmeras, binóculos e telescópios para adquirires os que melhor se adequam àquilo que pretendes. Neste, vamos abordar dois tipos de montagem entre o nosso equipamento fotográfico e o instrumento óptico, de forma a obteres os melhores resultados, não esquecendo o objectivo “baixo custo” deste guia, que pretende trazer as pessoas para o hobbie da astronomia amadora e astrofotografia, sendo para tal necessário apresentar opções acessíveis à maioria das carteiras.

Vamos então montar o equipamento de astrofotografia:

Existem duas técnicas de astrofotografia, que tanto valem para as webcams como para as câmeras fotográficas digitais: o método afocal e o método foco directo.

Método afocal

Montagem afocal

Montagem afocal

A montagem afocal entre o equipamento fotográfico e o telescópio é, talvez, o mais óbvio. Consiste em unir a objectiva da máquina fotográfica com a ocular do telescópio, sendo assim fotografada a imagem transmitida pela ocular que estivermos a utilizar.

Com este método, podemos controlar a ampliação (porque escolhemos a ocular), embora seja necessário comprar (ou, para os mais engenhosos, construir em casa) um adaptador. Sem o adaptador que fixe uma ocular com a outra, podemos ter de recorrer ás nossas mãos para segurar a câmera fotográfica, o que leva a uma imagem tremida – por mais firme que tentes estar, o teu corpo treme sempre (batimento do coração) e por muito subtil que seja, é suficiente para tornar um objecto mais distante completamente imperceptível e desfocado.

Para o método afocal, não é feita nenhuma modificação, nem na máquina nem no telescópio. Este é também um bom método para tirar fotografias através de binóculos.

Método foco directo

Método foco directo

Método foco directo

Uma montagem de foco directo é invasiva, menos flexível no que diz respeito ao controlo de ampliação, mas com os melhores resultados fotográficos. Mais comum em webcams do que em câmeras digitais, consiste em remover a objectiva da câmera e a ocular do telescópio, colocando o sensor da máquina em contacto directo com o telescópio – foco primário.

Com este método, as bordas da ocular do telescópio deixam de ser um obstáculo, além de se conseguir maior firmeza na montagem da câmera no tubo do telescópio. A ampliação é menos flexível, dado que é controlada pela ocular e no foco directo a ocular não é usada. Ainda assim é uma ampliação que se aproxima do máximo real do telescópio e que pode mesmo assim ser duplicada ou triplicada, usando uma barlow pelo meio (um assunto para outro capítulo).

A qualidade e nitidez das fotografias obtidas por este método é excelente, no entanto é preciso ter em atenção o seguinte: quando se remove a objectiva de uma câmera digital, essa deixa de ficar funcional para a “fotografia comum” do dia a dia. Se tiveres uma máquina digital que já não uses, com pelo menos uns 3 megapíxeis de resolução, é o ideal para esta montagem.

1 - Remove a ocular do teu telescópio

1 - Remove a ocular do teu telescópio

2 - Insere a máquina (sem objectivas) no telescópio

2 - Insere a máquina (sem objectivas) no telescópio

Nota: Na imagem acima, apesar da objectiva ter sido removida, deixamos o invólucro desse conjunto de lentes, de forma a encaixar e fixar melhor no tubo. Em alternativa, e no caso das webcams, podem ser usados os “antigos” recipientes de armazenamento de rolos fotográficos, abertos em ambas as extremidades.

3 - Fixa a máquina ao tubo do telescópio

3 - Fixa a máquina ao tubo do telescópio

A partir daqui, a focagem é controlada pelos parafusos macrométricos, tal como controlas a focagem se estiveres a observar com os teus olhos na ocular. Utiliza o visor LCD da câmera digital (ou o monitor do PC no caso das webcams) para observares, fotografares e filmares.

De forma a habituares-te ao método, convém fazer os primeiros testes durante o dia. A seguir demonstramos um pequeno teste, que fizemos logo após esta montagem:

Teste 1 - Vista desarmada

Teste 1 - Vista desarmada

Teste 2 - Foco directo

Teste 2 - Foco directo

Teste 2 - Vista desarmada

Teste 2 - Vista desarmada

Teste 2 - Foco directo

Teste 2 - Foco directo

Aproveita também a luz do dia, para ajustar a mira / luneta do telescópio. É fundamental que o objecto no centro da mira seja exactamente o que aparece quando visto pela ocular ou pelo foco directo. De dia, é fácil moveres o telescópio, durante a noite, não podes apontar a estrelas e planetas por “adivinhação” e qualquer movimento no telescópio pode “passar à frente” anos luz de corpos celestes ;)

No próximo capítulo vamos abordar a lente de Barlow e a sensibilidade à luz – um factor fundamental e no qual entram as configurações da máquina e interpolação por software. Não percas ;)

Arquivado em: Astrofotografia, Equipamentos