
Astrofotografia parte 3
As lentes de Barlow, constituídas por uma lente divergente, tem a capacidade de multiplicar a distância focal do telescópio, permitindo desta forma uma imagem maior do objecto que estamos a observar. Existem lentes de Barlow ajustáveis, em que o comprimento do tubo influência a ampliação: 1,5X, 2X, 3X, 4X… de que modo vamos, então, usar as capacidades desta lente para a astrofotografia?
No primeiro capítulo introduzimos os instrumentos fotográficos e ópticos a ser utilizados, enquanto que no segundo capítulo ficamos a conhecer os dois tipos de focagem para que telescópio e máquina fotográfica estejam em “sintonia” a observar e registar o céu nocturno. Agora vamos levar a ampliação da imagem aos seus limites e aprender a tornar claros os objectos em plena escuridão.

Máquina e lente de Barlow
Unir a lente de Barlow à câmera fotográfica, seja uma digital compacta ou uma webcam, é igual a colocá-la na extremidade do telescópio, ou seja, com o auxílio dos parafusos de aperto que já vêm de fábrica. Voltamos a relembrar que, na ausência de uma peça circular na máquina para a introduzir na ocular, os invólucros dos rolos fotográficos, abertos em ambas as extremidades, servem para o efeito.

Montagem com lente de Barlow
Esta é a montagem final, com uma máquina modificada (sem objectiva, método foco directo), uma lente de Barlow e um telescópio reflector. Uma nota em relação aos telescópios refractores: nestes, as lentes de Barlow não trazem muito de novo, porque a distância focal já é suficientemente grande para a abertura que possuem.
Chega portanto a altura de testarmos a capacidade deste trio:

1 - Semáfoto vermelho à vista desarmada

1 - "Cabeça" do semáforo vermelho com a montagem
Outros testes fotográficos, com alvos diurnos:

2 - Edifício distante

3 - Vegetação

4 - Cruz

5 - Antena
O custo de uma lente de Barlow situa-se a partir dos 45€, embora vários telescópios reflectores já as incluam por defeito no conjunto adquirido.
Agora que temos o equipamento de astrofotografia montado e funcional, chega a altura de aprendermos a controlar a sensibilidade à luz. Este controlo é fundamental, a não ser que o teu único objectivo seja fotografar os vizinhos ou, no máximo, a nossa Lua.

Pouco sensível (esq), sensível (dir)

Pouco sensível (esq), sensível (dir) com legenda
Como explicado no capítulo 1, é essencial que a câmera fotográfica / webcam contenha um sensor CCD em vez do mais comum CMOS. Também convém que traga comandos manuais, nomeadamente no que diz respeito á exposição, ao brilho, à cor, à saturação, etc. Regra geral, quanto mais automático, piores resultados, até porque os comandos automáticos que vêm de fábrica, são concebidos para a fotografia diurna e não propriamente para astrofotografia.

É necessário configurar a máquina fotográfica correctamente
Tendo como exemplo as máquinas fotográficas digitais compactas mais comuns, os menus a ser configurados são os seguintes:
ISO: o máximo, desde que não comprometa a qualidade da imagem;
Foco: infinito;
Flash: desligado;
EV Comp: +2.0
Velocidade do obturador: acima de 1 segundo (nalguns modelos, em vez desta opção tem uma outra, chamada modo nocturno, é também eficaz embora menos ajustável).
Um bom exemplo da influência que a velocidade do obturador pode ter em ambiente nocturno, pode ser visto na seguinte imagem:
Agora imagina esta diferença dramática, nos objectos mais ténues do céu nocturno ;)
Nota: a máquina tem de estar 100% estável para que uma imagem destas seja nítida. Ou num tripé, ou presa ao telescópio, nunca segurada em mão.
Apesar disto, o aumento da sensibilidade à luz numa fotografia, não depende apenas da câmera fotográfica. É aqui que entra e interpolação por software. Através de programas como o GIMP ou Photoshop, entre outros, podemos ir buscar as informações mais ténues no registo fotográfico e torná-los bem visíveis. No exemplo seguinte, fotografei o quarto da minha irmã em quase total escuridão – por favor não lhe digam nada :)
Esta fotografia foi tirada no modo normal da máquina, sem flash, comportas e janelas fechadas para não entrar luz, o ambiente ideal para um morcego.
Agora no computador, vamos tratar esta imagem usando o GIMP (gratuito).
Utilizamos as Ferramentas de Cor – Níveis
Cada imagem necessitará de níveis diferentes. Ajusta até que a fotografia fique equilibrada (luminosa sem comprometer a qualidade e os detalhes).
Após a remoção do ruído, aqui temos uma fotografia que parece ter sido tirada em plena luz do dia. Se não acreditas, faz este teste e depois diz alguma coisa ;)
Para os utilizadores do Photoshop, também é perfeitamente possível obter este resultado. Para tal, abram a imagem no programa e de seguida executem a função Exposure (em Image – Adjustments).
Terminados os testes diurnos, vamos aplicar directamente estes métodos em astrofotografia:
Com sensibilidade aumentada, as características das nuvens de Júpiter deixam de ser perceptíveis, mas os objectos em redor do mesmo tornam-se muito mais evidentes. Nas imagens acima, as 4 luas de Galileu (Io, Europa, Ganymede e Calisto) mais uma estrela longínqua (HP 95215) aparecem como pontos luminosos.
Esta imagem da binária Mizar, na constelação da Ursa Maior, foi obtida com sensibilidade normal. Aparecem as Mizar’s A e B assim como Alcor. De seguida vamos aumentar a sensibilidade:
Como resultado, descobrimos uma 4ª estrela na imagem, a Sidus Ludoviciana, com magnitude 7,55. Uma máquina mais sensível e numa foto tirada sem poluição luminosa, com certeza revelaria mais estrelas nesta imagem.
De notar que estas 4 estrelas, quando observadas no céu à vista desarmada, aparecem como apenas uma. Uns binóculos já “separam” Mizar de Alcor e um telescópio revela a segunda Mizar perto da primeira mais brilhante, tal como na foto acima.
No próximo capítulo, vamos continuar a estudar técnicas de edição de imagem. Desta vez, focadas no aumento da nitidez e dos pormenores dos corpos celestes. Não percas ;)











Astrofotografia parte 3 http://bit.ly/T1oTt
voce estar de parabéns!!!!!!!!
RT @astronomoamador Astrofotografia parte 3 http://bit.ly/T1oTt