Astrofotografia parte 7

Astrofotografia parte 7

Astrofotografia parte 7

A Terra, outrora considerada como o centro do universo e à volta da qual giravam todos os restantes vizinhos celestes, é na verdade um entre muitos planetas, é um dos mais pequenos, o único com capacidade para desenvolver a vida tal como a conhecemos hoje, mas nem por isso mais que uma mera estrela azulada, quando vista a partir de outros planetas do nosso Sistema Solar.

5 desses mundos, Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno, já são conhecidos desde que o ser humano se dedicou a tentar desvendar os segredos do céu nocturno. O seu movimento em relação às estrelas era distinto, a cor avermelhada de Marte inconfundível e a forma de globo não cintilante de Júpiter também. O telescópio, magnífica invenção que nos torna possível estarmos aqui, eu e o leitor, a falar destes temas com grande entusiasmo, trouxe ao conhecimento humano mais 3 planetas, reduzidos a 2 no ano de 2006. Urano e Neptuno, fizeram parte do imaginário até à passagem da Voyager 2, que trouxe as primeiras imagens das características da superfície desses mundos gigantes embora longínquos.

As técnicas e os equipamentos, ao ritmo do restante desenvolvimento científico e tecnológico, evoluíram de tal modo que um “comum mortal”, adquirindo um telescópio amador e uma máquina fotográfica ou webcam, é capaz de observar e registar em imagem todos os planetas do nosso Sistema Solar, uns com mais detalhe, outros com menos, mas sem que nenhum – nem o próprio relegado e minúsculo Plutão – retire o verdadeiro entusiasmo e o feeling de sermos nós próprios, naquela exacto momento, a observar a realidade que rodeia o nosso próprio mundo. A diferença da sensação das nossas próprias observações é totalmente diferente da sensação de vermos um DVD ou lermos um livro sobre esses mesmos astros. Neste capítulo, grande e, acreditamos nós, de grande interesse para o leitor, vamos abordar toda a observação do Sistema Solar, desde a localização à observação e astrofotografia. Desfruta desta viagem!

Onde estão os planetas?

Stellarium em tempo real

Stellarium em tempo real

Para localizarmos os planetas no céu, a partir da nossa exacta posição (latitude e longitude), vamos utilizar um software poderoso e (felizmente) gratuito chamado Stellarium, que podes obter em www.stellarium.org/pt/ (faz o download consoante a plataforma que usares, seja Linux, Mac ou Windows).

Após a instalação, dado que o programa opera em tempo real de acordo com o relógio do teu computador, é possível que vejas um cenário semelhante ao da imagem acima, se estiveres a utilizar durante o dia. O modo tempo real pode ser desactivado, para conheceres as posições dos objectos que queres observar nos dias seguintes, ou até nos anos seguintes, mas isso veremos mais à frente.

O primeiro passo importante, é definires a tua posição geográfica. Não te interessa saberes a posição de Júpiter perante um observador no Canadá, a não ser que mores efectivamente no Canadá.

Stellarium fig. 2

Stellarium fig. 2

Abre a janela de localização, no lado esquerdo da janela.

Stellarium fig. 3

Stellarium fig. 3

Procura a tua cidade e selecciona-a. Agora o programa vai mostrar o céu exactamente como ele estará no teu local de observação.

Stellarium fig. 4

Stellarium fig. 4

De seguida clica na janela da data/tempo.

Stellarium fig. 5

Stellarium fig. 5

Aqui podes definir a hora na qual tencionas observar. Podes também alterar a data e, por brincadeira ou curiosidade, avançar centenas de anos e conheceres como estará o céu, na tua cidade, visto pelas gerações que viverem nessa época.

Stellarium fig. 6

Stellarium fig. 6

À medida que avanças a hora, o céu vai naturalmente escurecendo.

Stellarium fig. 7

Stellarium fig. 7

Ficamos a saber, por exemplo, que em Braga, das 19h e pouco em diante, Júpiter será visível no céu.

Stellarium fig. 8

Stellarium fig. 8

Um pouco mais tarde, Urano também aparece observável.

Stellarium fig. 9

Stellarium fig. 9

Se estiveres a utilizar o Stellarium no portátil, em plena noite, é boa ideia activar o modo “visão nocturna”. Isto torna o programa menos contrastante e com visualização muito melhor em ambientes sem luz.

Stellarium fig. 10

Stellarium fig. 10

Podes seleccionar um objecto, aumentá-lo e saber informações específicas para a data e hora que definiste anteriormente. Nesta noite, teremos lua cheia.

Stellarium fig. 11

Stellarium fig. 11

Também nesta noite, Júpiter estará com uma magnitude -2,23, bastante brilhante. Tens as coordenadas para o telescópio, a distância exacta de Júpiter à Terra neste momento, entre outras informações.

Stellarium fig. 12

Stellarium fig. 12

Se fizeres zoom, ficas também a conhecer a posição exacta das luas galileanas, Io, Europa, Ganymedes e Calisto.

Stellarium fig. 13

Stellarium fig. 13

Podes de igual modo obter informações precisas sobre cada uma dessas luas. A lua Europa estará com magnitude 5,82, perfeitamente ao alcance até de um bom par de binóculos.

Stellarium fig. 14

Stellarium fig. 14

Se tiveres um telescópio maior, capaz de observar as maiores luas de Urano, também aqui podes conhecer a posição das mesmas. Quanto ao planeta, tem uma magnitude semelhante à lua Europa de Júpiter. Se nesta última precisas no mínimo de binóculos, para a “separar” de Júpiter, no caso de Urano podes conseguir observá-lo mesmo à vista desarmada, desde que estejas num local sem poluição luminosa (esquece as cidades).

Stellarium fig. 15

Stellarium fig. 15

O Stellarium não serve apenas para localizar planetas. Com ele, podes saber a exacta posição de estrelas, asteróides (como é o caso na imagem acima), galáxias, nebulosas, enxames estrelares, etc etc. O Stellarium não tem segredos (e com este guia, o céu também não ;)).

Stellarium fig. 16

Stellarium fig. 16

Agora vais-te colocar noutra situação: queres observar um planeta mas ele não está na tua janela de observação. Então, clica na janela de procura.

Stellarium fig. 17

Stellarium fig. 17

Espero ter acertado – tu queres mesmo é observar Saturno e os seus anéis. Se não queres, faz de conta, para este guia correr bem e manter o meu ego subido.

Stellarium fig. 18

Stellarium fig. 18

Ups… Saturno está abaixo da linha do horizonte, pelo menos a esta hora, não é possível observá-lo. Quando poderemos então?

Stellarium fig. 19

Stellarium fig. 19

No menu de rodapé, acelera o tempo clicando no botão mostrado na imagem. Vais descobrir a que horas Saturno estará acima da linha do horizonte.

Stellarium fig. 20

Stellarium fig. 20

À procura de Saturno, acabaste de descobrir que, cerca de uma hora depois, Marte também se torna visível, aproveita e treina umas fotos.

Stellarium fig. 21

Stellarium fig. 21

Cá está Saturno, até trás companhia, Vénus e Mercúrio. No entanto, as notícias não são boas. Isto acontece entre as 6h e as 7h, ou seja, o Sol está a nascer, como podemos comprovar logo de seguida.

Stellarium fig. 22

Stellarium fig. 22

Efectivamente, o Sol nasceu. Isto quer dizer que a sua luminosidade não permite a boa observação destes 3 planetas. Terá de ficar para outra ocasião.

Stellarium fig. 23

Stellarium fig. 23

Qual outra ocasião? Isso teremos de descobrir, alterando o dia, o mês ou até mesmo o ano, bem como o horário de observação.

Stellarium fig. 24

Stellarium fig. 24

No dia 21 de Dezembro de 2009, em Braga, teremos Marte e Vesta nesta posição, a Este.

Stellarium fig. 25

Stellarium fig. 25

Nessa data, Marte estará brilhante com uma magnitude -0,34. Podes saber a localização das luas Phobos e Deimos, mas lembra-te que não estão ao alcance de qualquer telescópio.

Explora as restantes funcionalidades deste software, dado que podes jogar com imensos factores: magnitude máxima das estrelas, estrutura das constelações, efeito atmosférico, entre muitos outros, configura de modo a obteres o resultado mais exacto perante o teu ponto de observação. Por exemplo, se moras numa cidade e pressupondo que está cheia de poluição luminosa, não precisas de um painel com estrelas de magnitudes 4, 5 ou 6, não vais vê-las. Numa zona mais afastada, como uma aldeia, já ás verás, pelo que te fazem jeito no painel.

O objectivo deste capítulo não era terminar aqui, no entanto dada a extensão do artigo e a quantidade de imagens ilustrativas, não só estas como as que se seguem, tornariam esta página bastante pesada para os leitores com ligações à Internet mais lentas ou instáveis. Deste modo, dividimos por aqui e o próximo capítulo, esmiuçando os  7 mundos do nosso Sistema Solar (excluindo a Terra obviamente), será publicado já amanhã (5 de Outubro)! Obrigado a todos os que nos seguem, qualquer dúvida que tenham, sintam-se totalmente livres para nos contactar, através do sistema de comentários (no final de cada artigo) ou por email (ver). Até já!

www.stellarium.org/pt/
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7 Comentários

  • PAULA REIS diz:

    Muito Bom!
    Sou professora de Ciências Físico-Químicas e estou a leccionar o tema de Astronomia. Estou a pensar utilizar o Stellarium nas aulas, de forma que este guião me vai ser muito útil.
    Muito Obrigada pela ajuda!

  • Boas

    estou a iniciar-me na astronomia e comprei um telescópio há pouco tempo. Instalei este programa mas estou com um problema…os menus quando selecciono alguma opção, a língua está em português mas há certas coisas que não se consegue ler…aparecem uns caracteres esquisitos…e onde isso acontece é por exemplo no nome dos planetas e estrelas…alguma vez te aconteceu isto?!?!

    obrigado e parabéns pelo teu trabalho!

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