SISTEMA SOLAR

Sol Mercúrio Vénus Marte Júpiter Saturno Urano Neptuno Plutóides Nuvem de Oort

Astrofotografia parte 8

Astrofotografia parte 8

Astrofotografia parte 8

Os planetas do nosso Sistema Solar estão divididos em 2 grupos principais: os planetas rochosos, onde se inclui a Terra, e os planetas gasosos, de Júpiter a Neptuno. Os planetas rochosos são relativamente pequenos e próximos ao Sol. Estão também relativamente próximos de nós, mas nem por isso são os mais fáceis de observar. Júpiter e Saturno, gigantes gasosos, estão bastante mais longe de nós que Mercúrio, Vénus ou Marte, mas os seus enormes diâmetros permitem-nos observá-los com detalhe e clareza.

Vamos recapitular o que abordamos até aqui neste Guia da Astrofotografia:
No capítulo 1, falamos dos diversos tipos de binóculos, telescópios e equipamento de fotografia digital. No capítulo 2, foram discutidas as técnicas de astrofotografia, foco primário e montagem afocal, seguindo-se o capítulo 3 com as utilizações da lente barlow e o “jogo” que se pode fazer com a sensibilidade à luz. O capítulo 4 ensina a tirar o melhor partido das imagens, optimizando-as por software de modo a destacar os detalhes e reduzir o ruído das fotografias. A 5ª parte deste Guia fala sobre a observação do Sol, que tem tanto de bela como de perigosa para quem não se informa devidamente, sendo o 6º capítulo sobre outro corpo celeste com o mesmo tamanho aparente, embora na realidade muitíssimo mais pequeno – a nossa Lua.

No capítulo anterior a este, o 7, pudeste aprender a localizar os planetas do nosso Sistema Solar (e outros objectos celestes) no céu por cima da tua cabeça. Neste, vais pôr em prática tudo o que foi falado nos capítulos anteriores.

Observar o Sistema Solar

Observadores num evento astronómico

Observadores num evento astronómico

Quem nunca pegou num telescópio ou nunca observou através dele, facilmente se perguntará: “porquê gastar tempo e dinheiro para ver os planetas minúsculos quando a Internet tem gratuitamente imagens insuperáveis do Telescópio Hubble e das sondas espaciais?” Quem utiliza um telescópio facilmente responde: “Não tem nada haver!”

Pois não. A sensação, a emoção, o tal feeling, de sermos nós próprios a observar-mos, não tem equivalente possível. É belíssimo ver as imagens da CASSINI, que gira em torno de Saturno, ou dos robots que pousaram em Marte, mas nem essas imagens todas juntas, substituem a visão dos nossos olhos, através do nosso equipamento, ali e agora, sem efeitos, sem montagens, em tempo real! Enquanto grande parte das pessoas só vê a Lua e as estrelas no céu, um astrónomo amador sabe que aquela estrela é um planeta, é Saturno, e pode chegar a casa, apontar o seu telescópio e apreciar os seus anéis, tal e qual como estão nesse momento. Quem nunca fez observações por si próprio, tem mesmo de se “baptizar”, caso contrário nunca compreenderá estas palavras. Mas vamos ao que interessa:

Mercúrio

Como podemos facilmente calcular, sendo um planeta próximo do Sol, aparece com frequência pouco depois do por do Sol e também um pouco antes do amanhecer. Não é fácil de observá-lo. Os binóculos não acrescentam nada à vista desarmada e um pequeno telescópio também não – ocasionalmente será distinguível a sua fase.

Fotografia: Dennis Raubisko

Fotografia: Dennis Raubisko

Fotografia: Jorge Canelhas

Fotografia: Jorge Canelhas

Uma astrofotografia através de um telescópio amador pequeno / médio, dificilmente será melhor que essas imagem acima expostas.

Fotografia: Mario Weigand

Fotografia: Mario Weigand

A fotografia acima é excelente e, possivelmente, o melhor possível em astronomia amadora em relação ao planeta Mercúrio. De ressalvar que, o telescópio usado para essa observação / registo fotográfico, tinha uma abertura de quase 30 cm, ou seja, é um telescópio amador bastante grande e por isso dispendioso (não menos de 5 mil €).

Vénus

Apesar de também estar relativamente perto do Sol, a maior distância ao mesmo comparando com Mercúrio, permite-nos observar Vénus no céu nocturno, o que juntamente com o seu maior diâmetro, torna bastante mais fácil a sua observação.

Fotografia: Caio Correa

Fotografia: Caio Correa

À vista desarmada, Vénus aparece no céu como uma estrela de brilho muito intenso, sendo mesmo, em ambientes sem poluição luminosa, ofuscante. Uns bons binóculos já permitem distinguir a sua fase.

Fotografia: Jorge Canelhas

Fotografia: Jorge Canelhas

Fotografia: Carlos Gandra

Fotografia: Carlos Gandra

Fotografia: José Ribeiro

Fotografia: José Ribeiro

Fotografia: Miguel Claro

Fotografia: Miguel Claro

Um pequeno telescópio é suficiente para distinguir nitidamente a fase de Vénus. Uma abertura entre 10 a 15cm permite algo como as imagem acima.

Marte

Marte é um alvo de eleição em astrofotografia. Relativamente próximo de nós, é inconfundível no céu com a sua cor avermelhada.

Fotografia: Anthony Arrigo

Fotografia: Anthony Arrigo

Ultrapassado em brilho apenas por Vénus (excluindo a nossa Lua, obviamente), uns bons binóculos são suficientes para distinguir a forma do seu disco e, nas melhores ocasiões de observação, as suas calotas polares, embora para este efeito, o uso de um telescópio seja muito mais recomendado.

Fotografia: Miguel Claro

Fotografia: Miguel Claro

Fotografia: Jorge Canelhas

Fotografia: Jorge Canelhas

Fotografia: José Ribeiro

Fotografia: José Ribeiro

Um telescópio pequeno / médio é capaz de mostrar as calotas polares bem como as zonas mais claras e mais escuras da zona equatorial do planeta vermelho.

Júpiter

O maior planeta nosso Sistema Solar é, talvez, o único cuja forma de disco se consegue distinguir mesmo à vista desarmada.

Fotografia: Jonathan Tucker

Fotografia: Jonathan Tucker

Uns bons binóculos são suficientes para observar melhor a forma do planeta, bem como as suas quatro luas galileanas, Io, Europa, Ganymedes e Calisto.

Fotografia: Paulo Guedes

Fotografia: Paulo Guedes

Fotografia: Mario Santiago

Fotografia: Mario Santiago

Fotografia: Miguel Claro

Fotografia: Miguel Claro

Fotografia: José Ribeiro

Fotografia: José Ribeiro

Através de um pequeno / médio telescópio, as cinturas bem conhecidas deste planeta, bem como a sua Grande Mancha Vermelha, são agora visíveis. As mudanças na superfície podem ser acompanhadas e registadas.

Fotografia: Jorge Canelhas

Fotografia: Jorge Canelhas

Embora nunca se veja mais que uns pontos brancos, as 4 maiores luas de Júpiter são agora mais evidentes. É possível também observar os eclipses, ou seja, a sombra produzida no planeta quando uma das luas passa à sua frente.

Saturno

Possivelmente o alvo mais espectacular de observar através de um telescópio, devido ao seu aparatoso sistema de anéis, Saturno é um gigante gasoso não muito brilhante no nosso céu, mas nem por isso mais dificil de localizar.

Fotografia: Clayton Cramer

Fotografia: Clayton Cramer

Quando observado através de binóculos, Saturno aparece como um planeta inchado, de ambos os lados. Para observar correctamente os anéis é necessário um telescópio, que pode ser pequeno (embora se veja progressivamente melhor, quanto maior for o equipamento).

Fotografia: Miguel Claro

Fotografia: Miguel Claro

Fotografia: Mario Santiago

Fotografia: Mario Santiago

Fotografia: Paulo Guedes

Fotografia: Paulo Guedes

Fotografia: José Ribeiro

Fotografia: José Ribeiro

Um telescópio médio / grande torna também possível observar a divisão de Cassini nos anéis de Saturno.

Fotografia: Mario Santiago

Fotografia: Mario Santiago

Algumas luas de Saturno são também observáveis e fotografáveis, embora sejam mais ténues e por isso mais difíceis do que as luas de Júpiter. Na imagem acima, do topo para o fundo, estão Dione, Tethys, Rhea e Titan, a mais brilhante.

Urano

Terminam aqui as facilidades na observação e astrofotografia dos planetas do nosso Sistema Solar. Embora bastante maior que a Terra, Urano é também bastante mais pequeno que Saturno e está aproximadamente duas vezes mais longe. No limiar da nossa visão, é possível ver Urano no céu à vista desarmada, mas apenas em zonas afastadas das cidades e portanto da poluição luminosa. Uns binóculos ajudarão a localizar o planeta, mas não te vão mostrar mais do que um pequeno ponto “perdido” entre as estrelas.

Fotografia: Jorge Canelhas

Fotografia: Jorge Canelhas

Fotografia: Miguel Claro

Fotografia: Miguel Claro

Fotografia: José Ribeiro

Fotografia: José Ribeiro

A diferença entre um telescópio pequeno, médio ou grande, na observação de Urano, não é muito significativa, porque independentemente do tamanho com que vires o globo, não conseguirás observar características na sua superfície. A sua cor esverdeada, sim, já é relativamente fácil de observar e registar.

Neptuno

As dificuldades na astrofotografia de Urano, duplicam neste planeta. Embora do mesmo tamanho, praticamente, está bastante mais longe e é o último planeta do nosso Sistema Solar. O seu movimento ao longo das constelações do nosso céu é extremamente lento, sendo também totalmente impossível observá-lo à vista desarmada. Uns bons binóculos já são capazes de te mostrar Neptuno como uma estrela. Para observares e fotografares a sua cor, necessitas pelo menos de um telescópio com 15cm de abertura.

Fotografia: José Ribeiro

Fotografia: José Ribeiro

Como podes ver, todos os planetas do Sistema Solar estão ao alcance de um telescópio amador, embora logicamente, uns sejam melhor observáveis que outros. Mercúrio, Urano e Neptuno são mais um factor de curiosidade do que propriamente interesse, enquanto que Marte, Júpiter e Saturno podem proporcionar momentos e imagens inesquecíveis.

Brevemente apresentaremos a todos uma surpresa, no seguimento deste Guia cujo último capítulo acabaste de ler. Não percas!

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2 respostas a “Astrofotografia parte 8” »

  1. Astrofotografia parte 7 | Astrónomo Amador — 5 de Outubro de 2009

    [...] leitores com ligações à Internet mais lentas ou instáveis. Deste modo, dividimos por aqui e o próximo capítulo, esmiuçando os  7 mundos do nosso Sistema Solar (excluindo a Terra obviamente), será publicado [...]

  2. Astrofotografia-sumário | Astrónomo Amador — 14 de Novembro de 2009

    [...] Astrofotografia capítulo 8 [...]

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