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Escolher o 1º Telescópio

Astronomia Amadora - Escolher o 1º Telescópio

Mais tarde ou mais cedo, terás vontade de comprar um telescópio

Não é um telescópio que define alguém como astrónomo amador, mas é certo que, mais cedo ou mais tarde, todo o entusiasta da astronomia sente que chegou o momento de adquirir o seu primeiro equipamento e começar a fazer observações mais sérias. Começar a observar, por si próprio, a Lua, os planetas do nosso Sistema Solar, as Galáxias, as Nebulosas e quem sabe descobrir um novo asteróide ou cometa.

A escolha de um telescópio está longe de ser fácil, quando se trata do primeiro equipamento que adquirimos e a experiência com os mesmos é quase (ou mesmo) nula. Antes de mais, devemos travar a compra por impulso. Um telescópio mal escolhido pode revelar-se uma frustração, não esquecendo que o dinheiro investido nele pode ter um grande impacto no nosso orçamento. A astronomia amadora não é um hobbie de curta duração, mesmo que nos afastemos dos céus nocturnos durante alguns meses, as recaídas são frequentes e num dado momento acabam por acontecer. Existem excepções, que só vêm confirmar a regra.

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Uma má escolha do telescópio pode revelar-se frustrante

Se este é o momento de adquirires o teu primeiro telescópio, deves considerar os seguintes factores:

  • a tua casa e o local onde vives;
  • o que mais te interessa observar;
  • se pretendes mover o telescópio de lugar com frequência;
  • se o objectivo é apenas observação ou também astrofotografia;
  • o tempo livre que tens para dedicar ao hobbie;

E como não poderia faltar a que é, para muitos, a maior condicionante:

  • o dinheiro que podes gastar.
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A tua casa e a tua localização são factores determinantes

Como compreenderás, é diferente viveres num apartamento ou numa vivenda, assim como é (muito) diferente, em termos astronómicos, morares numa cidade ou numa zona rural por exemplo. Isto reflecte-se na escolha do equipamento.

Associado ao factor apartamento poderás ter a falta de espaço. Se não tiveres garagem ou se não tiveres uma varanda com espaço suficiente para o telescópio, ou mesmo se morares num R/C ou 1º andar (maior risco de assaltos), deves optar por um equipamento mais compacto, que possas arrumar e transportar com facilidade.

Para te dar um exemplo simples: o João e o Pedro vivem no centro da cidade. O João comprou um telescópio mais pequeno, refractor, é modesto mas facilmente transportável. O Pedro investiu mais e tem um telescópio de grande abertura, um reflector poderoso para observações bem mais sérias. Na prática, o João consegue fazer observações com o seu telescópio, todas as noites de céu limpo. O Pedro não consegue fazer observações mais de 4 ou 5 vezes por ano, o telescópio é muito pesado para transportar, é muito trabalhoso para montar e no centro de uma cidade não consegue tirar partido dele. Qual é então a melhor escolha? A do João claramente, é um telescópio modesto mas que o leva a viajar mais e melhor pelos céus nocturnos. O que interessa teres o melhor telescópio do mundo, se não lhe podes dar uso, não desfrutas e nem aprendes nada com ele?

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O que pretendes mesmo observar no céu nocturno?

As diferenças de poluição luminosa também são muito relevantes. As cidades são o “habitat” das maiores concentrações de poluição luminosa, não só pelo facto de haver muita iluminação nas ruas, mas e principalmente, dessa iluminação estar mal concebida pelas autarquias, impedindo desta forma os citadinos de observarem o céu em todo o seu esplendor. Num ambiente de bastante poluição luminosa, os objectos mais ténues ficarão invisíveis para ti.

Os teus objectivos na astronomia amadora também desempenham uma grande importância na escolha do teu primeiro telescópio. Partindo do pressuposto que não existe nenhum equipamento que seja, simultaneamente, o mais adequado para o Sistema Solar e o mais adequado para o céu profundo, tens de fazer uma escolha:

Tens mais interesse em observar o Sol, a Lua e os planetas do Sistema Solar, ou por outro lado preferes as Galáxias e Nebulosas?

Para o primeiro caso, um telescópio refractor de abertura igual ou superior a 75mm pode revelar-se excelente. Para o segundo, necessitas de uma abertura bastante maior, por isso é recomendável um reflector de abertura igual ou superior a 120mm. Não te esqueças, mais uma vez, do local onde vives. Uma cidade não é um bom sítio para observares galáxias e nebulosas, mesmo que o teu equipamento seja suficiente para o efeito.

O transporte do telescópio é bastante importante. Um equipamento grande e pesado não tem desvantagem nenhuma se tiveres um local fixo para o “pousares” e seja esse o teu local de observação. O caso muda de figura se pretendes montar, observar, desmontar e arrumar. Ou, se pretendes viajar com ele. Nesse caso, quanto maior o telescópio, mais difícil será manobrares o equipamento.

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Todos os factores são relevantes para a escolha certa

No caso de te quereres iniciar igualmente em astrofotografia, tem atenção ao tripé do telescópio. Não convém ser muito leve (geralmente os que acompanham os telescópios mais pequenos), pois a leveza impede que resistam ao vento por exemplo, destabilizando a imagem. Uma montagem com motor eléctrico pode também revelar-se uma vantagem para seguir objectos e fotografar melhor. Sobre as câmaras fotográficas e as técnicas de astrofotografia, podes ler o nosso Guia da Astrofotografia.

Em relação ao tempo livre que dispões para te dedicar à astronomia amadora, ora bem, o objectivo tal como dito anteriormente, é desfrutares disto. Senão, não era um hobbie, certo?

Se o teu tempo é curto, por exemplo por razões profissionais, não adquiras um equipamento que demore tempo a preparar para uma observação. Um telescópio mais prático, permanentemente montado e que esteja “à mão” é a melhor escolha. Apontas, observas e desfrutas.

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O orçamento que tiveres disponível pode (ou não) limitar a escolha

Além de todos estes factores, obviamente o teu orçamento conta, e muito como calculas. A verdade pode não ser agradável mas, por muito que gostes dos objectos do céu nocturno como galáxias e nebulosas, não podes comprar um grande telescópio se não tiveres dinheiro para ele. isto não é suposto desmotivar-te: todos nós gostaríamos com certeza de ter um verdadeiro observatório, um telescópio com metros de abertura e onde nem o céu é o limite. Temos é de nos situar na realidade e tirar as coisas boas daquilo que dispomos. E a verdade é que um telescópio pequeno / médio te pode mostrar “todo” o Sistema Solar, podes observar com grande detalhe o relevo das crateras e mares na Lua, o ciclo das manchas solares, as estrelas binárias, etc etc. Porquê complicar?

2 notas que deves ter mesmo em conta:

1. Nunca te deixes iludir pela ampliação publicitada num telescópio. A ampliação não interessa para nada aqui. O número que te dão é a matematicamente possível mas não deixa de ser enganador. De uma forma pouco rigorosa, podes calcular a ampliação ideal, multiplicando a abertura (em cm) do telescópio por 20. Ou seja, um telescópio de 75mm de abertura (7,5cm), tem uma ampliação máxima ideal de 150X (7,5×20=150). Acima disto, distorce a imagem. Portanto se vires numa loja um telescópio destes a anunciar uma fantástica ampliação de 400X, sabes à priori que é algo que nunca poderás usar porque não dá para ver nada de nada com tal aumento. Uma ampliação de 400X seria viável com uma abertura de 200mm, no mínimo.

2. Um telescópio com abertura inferior a 60mm, é mais um “brinquedo” do que outra coisa. Talvez te sirva para fazeres uma observação da Lua com mais pormenores e detalhes do que um par de binóculos, mas comprar um telescópio só para veres a Lua, talvez não seja um grande passo.

Podes também aprender mais sobre os diversos tipos de telescópio (refractor, reflector, etc), neste artigo.

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Os binóculos podem ser um bom ponto de partida

Comprar primeiro uns binóculos?

Alguns astrónomos amadores e até mesmo profissionais, recomendam a todo o iniciante que compre em primeiro lugar um bom par de binóculos, treine as observações e só passado algum tempo avançar para a compra de um telescópio.

Esta é uma opinião válida sem dúvida, como se costuma dizer “aprende a andar antes de começares a correr”, no entanto não é propriamente necessário que assim seja. A tendência de qualquer astrónomo amador é querer sempre mais. Ou seja, se não comprares um telescópio agora e optares por binóculos, daqui por meio ano ou um ano vais mesmo comprar o telescópio porque sentes necessidade de observar mais e melhor. Ora, comprar antes ou depois, vai dar quase ao mesmo, com a diferença que no primeiro caso, vais gastar mais dinheiro (nenhum bom par de binóculos é propriamente barato). No final, acaba por ser uma escolha pessoal sem grande influência no teu percurso astronómico.

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Desfruta de tudo o que o céu nocturno tem para te mostrar!

Em resumo:

Se vives num apartamento no centro de uma cidade, um telescópio refractor de abertura de 75mm ou um pouco superior, será uma excelente escolha. Sol, Lua, Mercúrio, Vénus, Marte, Júpiter e Saturno estão bem ao teu alcance. Urano também, mas mais esbatido. As 4 maiores luas de Júpiter (Io, Europa, Ganymedes e Calisto) e os anéis de Saturno também são bem visíveis com este equipamento

Se vives numa moradia e num local mais afastado das grandes cidades, um telescópio de maior abertura permite-te fazer observações mais profundas. Um telescópio reflector de abertura igual ou superior a 150mm poderá ser o ideal para galáxias, nebulosas e objectos mais ténues.

O melhor telescópio mesmo é aquele que usares mais. Para ti pode ser um reflector, para o teu primo um refractor e para o teu vizinho nenhum desses dois servir os seus interesses. O importante é que desfrutes dele e que te permita alcançar os teus objectivos. Tenhas que telescópio tiveres, continuas a ser aquela pessoa algo estranha que fica fascinada quando vê um pontinho ou uma mancha esbatida, que chama os amigos com entusiasmo e estes expressam aquele sorriso amarelo para não parecer mal, porque na verdade nem repararam no que te empolgou. Ou aquela pessoa que acha uma foto de Saturno tirada pela Voyager ou pela Cassini “bonita” e que olha pelo seu telescópio, para um Saturno mais pequeno e sem muitos detalhes e acha espantoso, belíssimo, divinal. Bem-vindo à astronomia amadora!

Céus limpos ;)

Arquivado em: Astrofotografia, Equipamentos, Miscelânea

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2 Comentários em "Escolher o 1º Telescópio"

  1. Leonardo Lavigne diz:

    Olá Carlos, gostaria de deixar meus parabéns pelo site e pelo artigo. Me esclareceu bastante.

    Seguindo um pouco do que você escreveu, fui buscar o meu 1º telescopio e gostaria de “abusar” da sua experiencia. Um telescópios com as seguintes especificações seria ideal para ser meu primeiro?

    Especificações:
    Tipo de telescópio….. Refrator Equatorial
    Diâmetro objetiva (mm)….. 80
    Ampliação máxima teórica….. 675x
    Ampliação máxima recomendada ….160x
    Construção…. NT
    Abertura ….. f/11
    Distância focal….. 900mm
    Montagem….. Equatoria EQ2 Pro
    Tripé….. Alumínio
    Peso (kg)…..12
    Altura do telescópio(cm)….135
    Comprimento do tubo(cm)…..95
    Diâmetro das oculares….. 1,25 polegadas (32mm)

    Espero que possa responder.

    Abraços.

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