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Sexo no Espaço: o Desmentido do Inevitável

Hoje, 22 de Abril, a Rússia emitiu um comunicado onde desmente qualquer tipo de experiência sexual no espaço, planeada ou ocasional. No entanto, a discussão da actividade sexual no espaço não é um tema novo, já vem sendo abordada há alguns anos, já meteu a NASA ao barulho e já é algo que, obviamente, terá de fazer parte do planeamento das próximas missões tripuladas, quanto mais não seja em termos da colonização espacial. Mas, que problemas podem eventualmente enfrentar os astronautas, ao praticarem sexo em ausência de gravidade?

Sexo no EspaçoA polémica reacendeu nos últimos dias, quando diversos órgãos de informação publicaram notícias que davam conta de determinados ensaios científicos dos astronautas em órbita, que incluíam actividade sexual e mesmo a tentativa de ter filhos no espaço. Perante estas notícias, Valeri Bogomolov, vice-director do Instituto de Problemas Médico-Biológicos da Rússia, foi categórico:

«Não existe qualquer testemunho oficial ou não oficial de que tenha sido feito sexo no espaço, bem como experiências nesse campo (…) No que respeita à astronáutica americana, simplesmente não tenho dados para refutar isso categoricamente. Em todo o caso, não temos dados oficiais. Há apenas boatos anedóticos, insinuações na imprensa que não merecem crédito»

A resistência ao tema

Sexo no espaço é claramente um tema tabu, especialmente nos EUA, onde o desconforto a falar sobre o tema tem sido evidente e os rumores não param de aumentar. Excesso de puritanismo ou ética, a não abertura do tema choca com o facto do sexo ser uma necessidade de qualquer ser humano, tal como comer ou beber e, sabendo que as missões espaciais têm a duração de vários meses, torna-se inevitável falar no assunto.

Certo é que, uma abertura ao tema, será controversa no que diz respeito a casais. A analogia mais próxima que podemos encontrar, é nas missões de investigadores ao Polo Sul, no qual ficam isolados por um longo período de tempo e, obviamente, interagem sexualmente entre eles.

Em 2008, na estação de McMurdo, Antárctida, o grupo de investigadores encomendou cerca de 16 500 preservativos antes do início dos 6 meses de escuridão. Aliás, existe uma expressão comum nestas expedições: qualquer relação amorosa termina no momento em que um dos elementos do casal, parte para uma expedição de longo termo como esta…

Naturalmente o mesmo se passa com os astronautas, no que diz respeito ao longo período de isolamento. E se as missões à Estação Espacial Internacional são de alguns meses, uma viagem tripulada a Marte, ida e volta, terá a duração mínima de 3 anos.

A influência da gravidade no acto sexual

Actividade Sexual Espaço

Devido à ausência de gravidade, ou falando de forma cientificamente mais correcta, em ambiente de micro-gravidade, a actividade sexual será claramente diferente:

  • A condução de calor pelo corpo é afectada, pelo que será uma experiência sexual mais quente e molhada, com a geração de gotículas de soar flutuantes;
  • A união dos dois corpos é mais complicada. Até um simples beijar, durante simulações de micro-gravidade, requer bastante esforço;
  • A pressão sanguínea nesta ambiente diminui, o que afecta a erecção do pénis;
  • Os métodos contraceptivos orais não são absorvidos correctamente pelo organismo;
  • As hormonas e os espermatozóides comportam-se de forma diferente;
  • É muito comum no espaço ocorrerem enjoos, o que é pouco romântico.

O problema de ficar unido ao parceiro e assim permanecer, poderá ser resolvido com acessórios adicionais: por exemplo, equipamento que “pregue” ambas as pessoas uma à outra, ou que os “pregue” a uma das paredes.

O Kamasutra espacial

Em tese, entre as 10 posições sexuais mais comuns, apenas 4 delas podem efectivamente ser praticadas em micro-gravidade sem grandes acessórios ou cintos adicionais – a posição clássica, curiosamente, não faz parte dessas 4. No entanto, o jornalista e astrónomo Pierre Kohler, num dos seus livros, foi mais longe sobre o tema, afirmando que existe entre os astronautas uma espécie de kamasutra espacial, um manual das posições mais confortáveis para a prática de sexo em órbita.

Certo é que em 1991, a astronauta inglesa Helen Sharman afirmou que viveu a bordo da MIR “experiências fantásticas”, reforçadas pelos seus colegas russos ao dizerem que “tiveram uma boa diversão com ela”. Se estavam a falar de sexo ou de stand up comedy… só eles sabem.

Nascimento de bebés no espaço?

Ao contrário da actividade sexual, a procriação deverá ser evitada a todo o custo. Experiências com mamíferos demonstraram que as células embrionárias mostravam grandes alterações ao nível molecular, sendo que 64% das proteínas eram diferentes das proteínas em gravidade terrestre, com efeitos degradantes nos ossos e ADN mais vulnerável a danos provocados por oxidantes.

Assim sendo, um bebé concebido em ambiente de micro-gravidade pode apresentar graves deficiências nos ossos, alterações no coração e vasos sanguíneos, atraso neurológico e tecido muscular afectado, pelo que, actualmente, é uma ideia para colocar de lado e todas as precauções para o evitar devem ser tomadas.

Hotéis em órbita

Hotéis EspaciaisA exploração espacial a cargo de alguns magnatas já tem em projecto a criação de hotéis em órbita terrestre, e a actividade sexual dos hóspedes é algo já pensado e tratado com seriedade – talvez mais seriedade do que as agências espaciais.

Assim sendo e a fim de proporcionar até eventualmente “luas de mel” fora do nosso planeta, os hotéis poderão oferecer aos hóspedes ambientes equipados para que se pudessem divertir sem desconforto. Uma dessas ideias é a criação de “salas-hidro”, preenchidas com gotículas flutuantes de água fresca e óleos aromáticos.

A existência de fatos, cintos e outros equipamentos será também provavelmente necessária para o acto.

O Livro de Laura Woodmansee

Laura Woodmansee é a autora do livro «Sex in Space», editado em 2005, uma obra que lhe tem trazido alguns dissabores. A NASA cancelou a apresentação do mesmo no JPL e, indirectamente, tem sido acusada de ter tentado criar uma obra pornográfica para destabilizar os astronautas.

No entanto, trata-se de um livro que procura desmistificar o assunto e mostrar que a liberalização do tema, bem como maiores estudos sobre o mesmo, pode inclusive configurar-se como um maior atractivo para o turismo espacial, até porque a actividade sexual em micro-gravidade e fora da Terra é uma fantasia sexual tão legítima como qualquer outra, num mundo que caminha para um turismo espacial cada vez mais evoluído e acessível.

Qual é a tua opinião sobre o sexo no espaço?

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3 Comentários em "Sexo no Espaço: o Desmentido do Inevitável"

  1. Sexo no Espaço: o Desmentido do Inevitável http://bit.ly/fTy8dZ

  2. Sexo no Espaço: o Desmentido do Inevitável http://bit.ly/fTy8dZ

  3. annezinha diz:

    como os astronomos vao ao banheiro dormem e comem algo no espaço?

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